Seguiremos em luta até que TODAS sejamos livres!

O dia 8 de março é internacionalmente conhecido como dia da mulher. Por muito tempo, a origem deste dia esteve associada ao incêndio da fábrica de roupas “Triangle Shirtwaist Company”, em Nova York, no ano de 1857. Esse trágico episódio, provocado pelas forças policiais, teria resultado na morte de 146 trabalhadores, sendo destes, 125 mulheres, que, segundo registros, reivindicavam a diminuição da jornada de trabalho para 10 horas diárias e o direito à licença maternidade.

Troca de Saberes de 2019 – Arquivo Rede

No entanto, a ausência de registros de incêndios no ano de 1857 fez com que algumas estudiosas sobre o assunto passassem a questionar sobre a verdadeira origem dessa data. Após algumas pesquisas, foram encontrados registros de que o incêndio na fábrica  “Triangle Shirtwaist Company”, que causou a morte de 125 trabalhadoras, teria acontecido no ano de 1911[1]. Apesar das contradições nos fatos, o incêndio da fábrica estadunidense e a morte das operárias ainda é lembrado na história da luta das mulheres. 

Com o avanço dos estudos sobre o tema, foram encontrados documentos mostrando que, no ano de 1910, durante a 2ª Conferência de Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, a alemã Clara Zetkin propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher, sendo uma data em que, anualmente, as mulheres de todo o mundo estariam em luta por melhores condições de vida e trabalho. Foi assim que, no dia 8 de março de 1917, as trabalhadoras russas foram às ruas por “pão e paz”.

As milhares de trabalhadoras russas ocuparam as ruas de Petrogrado reivindicando pão para seus filhos e o retorno de seus maridos que se encontravam na guerra. Este dia histórico para a luta das mulheres trabalhadoras de todo mundo, passou então a ser conhecido como o primeiro Dia Internacional da Mulher. A luta das trabalhadoras desencadeou uma série de greves e manifestações que puseram fim ao regime czarista na Rússia. 

Passados mais de 100 anos dessa grande manifestação das trabalhadoras russas, nós, mulheres trabalhadoras, em 2021, ainda lutamos por “pão e paz”. No Brasil, já são mais de 14 milhões de desempregados, sendo que destes, 8,5 milhões são mulheres. Essas mulheres são, em grande maioria, mães, mulheres negras, pobres e periféricas. Com a suspensão do auxílio emergencial e o desmonte das políticas públicas de fomento à agricultura familiar, as estimativas mostram um aumento de 10 para 20 milhões de brasileiras e brasileiros vivendo em condição de insegurança alimentar grave, isto é, em situação de fome.   

Além disso, com a pandemia, o isolamento social obrigou mulheres e crianças ao convívio permanente com seus agressores. O Disque 180, central de denúncias de violência contra a mulher, registrou um aumento de 40% nos atendimentos, desde o início da pandemia. Em 2020, o número de feminicídios (assassinato de mulheres motivado por razões de gênero) cresceu 22% no país.

É por isso que, neste 8 de março, a exemplo de Margarida Alves, Olga Benario, Dandara, Marielle Franco e tantas outras lutadoras do povo que “seguiremos em luta até que TODAS sejamos livres!”

Texto: Hellen Guimarães – Coordenação Estadual do Movimento de Mulheres Olga Benario – MG


[1] https://nucleopiratininga.org.br/8-de-marco-conquistas-e-controversias/

Deixe uma resposta