Criação de Associação impulsiona a certificação orgânica e a Agroecologia na região sudeste

Reunião de avaliação de Seminário em Junho de 2019

Em assembleia realizada em julho, foi criada a Associação de agricultura orgânica e Agroecologia da Zona da Mata. Formada inicialmente por 39 sócias/os, na sua maioria agricultoras e agricultores familiares, a associação tem como objetivo central atuar como um Organismo Participativo de Avaliação da Conformidade (OPAC), ou seja, a pessoa jurídica que responderá formalmente pela garantia da qualidade orgânica e agroecológica dos produtos do Sistema Participativo de Garantia da Qualidade (SPG) junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e demais órgãos de controle.

Os SPGs, conhecidos popularmente como certificação participativa, são uma das formas de garantia da qualidade orgânica da produção previstas na Lei Federal 10.831/2003 e suas normativas, que possibilitam a venda direta e indireta de produtos com o selo credenciado pelo MAPA. Nestes sistemas, a garantia acontece por meio do controle social e da responsabilidade solidária, sendo a participação, a transparência, a autonomia, a igualdade entre homens e mulheres e a construção coletiva do conhecimento pilares fundamentais.

Reunião do setor de comunicação em Maio 2019

A construção coletiva do Regimento Interno e o posterior registro do OPAC junto ao MAPA são as próximas etapas de constituição do sistema participativo. Enquanto as questões formais avançam, as visitas, intercâmbios, mutirões e reuniões entre fornecedores (agricultoras e agricultores, processadores de alimentos, entre outros) e colaboradores (técnicas/os, estudantes, professoras/es entre outros) continuam a acontecer no âmbito do Polo Agroecológico e de Produção Orgânica na Zona da Mata mineira (Lei Estadual 23.207/2018).

Essa construção tem sido apoiada pelo Departamento de Economia Rural e Núcleo ECOA da UFV, MAPA, CTA-ZM, EMATER, Rede Raízes da Mata e organizações de agricultores e agricultoras.

Para mais informações, entre em contato pelo e-mail: spgzonadamata@gmail.com

Elaboração e revisão: Eugênio Resende, Gilvânia Domiciano e Angélica Almeida. 

Saiba Onde Encontrar os Produtos da Rede Agroecológica Raízes da Mata

Você sabe de onde vem seu alimento? Sabe quem você apoia enquanto consome? Se você é consumidor/a da Rede Raízes da Mata, você provavelmente sabe!

Nós, da Rede Agroecológica Raízes da Mata fazemos questão de mostrar pro mundo todas as pessoas envolvidas nos processos que possibilitam que alimentos saudáveis cheguem na sua casa, como as famílias que praticam a agricultura, outros provedores e todo nosso grupo. 

E não estamos falando só do pessoal da região de Viçosa, não! Pois a Rede, formada por  famílias de agricultores/as e  empreendimentos solidários de diferentes cidades, tem facilitado que os produtos viagem cada dia a mais lugares. Nosso circuito de circulação e comercialização de produtos agroecológicos já chega a 16 cidades de Minas Gerais e também do estado do Rio de Janeiro.

A cooperação é um ponto chave para nós! Queremos alcançar cada vez mais pessoas e andar lado a lado com quem acredita que podemos MUITO MAIS na construção de uma comunidade que enxerga a todas e todos e luta para garantir uma vida mais saudável, soberana e justa. É por isso que esse circuito só se torna viável porque temos parcerias com Sistemas de certificação participativa de outras regiões, parcerias com movimentos sociais populares e com organizações de consumo que querem dar as mãos.

Conheça com a gente todos os pontos de distribuição da Rede, onde companheires e parceires ajudam a fortalecer a agroecologia e a economia solidária. Clique aqui e acesse o nosso mapa interativo para saber aonde a Rede está mais perto de você.

#redesisal #euapoioaagriculturafamiiar

Seguiremos em luta até que TODAS sejamos livres!

O dia 8 de março é internacionalmente conhecido como dia da mulher. Por muito tempo, a origem deste dia esteve associada ao incêndio da fábrica de roupas “Triangle Shirtwaist Company”, em Nova York, no ano de 1857. Esse trágico episódio, provocado pelas forças policiais, teria resultado na morte de 146 trabalhadores, sendo destes, 125 mulheres, que, segundo registros, reivindicavam a diminuição da jornada de trabalho para 10 horas diárias e o direito à licença maternidade.

Troca de Saberes de 2019 – Arquivo Rede

No entanto, a ausência de registros de incêndios no ano de 1857 fez com que algumas estudiosas sobre o assunto passassem a questionar sobre a verdadeira origem dessa data. Após algumas pesquisas, foram encontrados registros de que o incêndio na fábrica  “Triangle Shirtwaist Company”, que causou a morte de 125 trabalhadoras, teria acontecido no ano de 1911[1]. Apesar das contradições nos fatos, o incêndio da fábrica estadunidense e a morte das operárias ainda é lembrado na história da luta das mulheres. 

Com o avanço dos estudos sobre o tema, foram encontrados documentos mostrando que, no ano de 1910, durante a 2ª Conferência de Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, a alemã Clara Zetkin propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher, sendo uma data em que, anualmente, as mulheres de todo o mundo estariam em luta por melhores condições de vida e trabalho. Foi assim que, no dia 8 de março de 1917, as trabalhadoras russas foram às ruas por “pão e paz”.

As milhares de trabalhadoras russas ocuparam as ruas de Petrogrado reivindicando pão para seus filhos e o retorno de seus maridos que se encontravam na guerra. Este dia histórico para a luta das mulheres trabalhadoras de todo mundo, passou então a ser conhecido como o primeiro Dia Internacional da Mulher. A luta das trabalhadoras desencadeou uma série de greves e manifestações que puseram fim ao regime czarista na Rússia. 

Passados mais de 100 anos dessa grande manifestação das trabalhadoras russas, nós, mulheres trabalhadoras, em 2021, ainda lutamos por “pão e paz”. No Brasil, já são mais de 14 milhões de desempregados, sendo que destes, 8,5 milhões são mulheres. Essas mulheres são, em grande maioria, mães, mulheres negras, pobres e periféricas. Com a suspensão do auxílio emergencial e o desmonte das políticas públicas de fomento à agricultura familiar, as estimativas mostram um aumento de 10 para 20 milhões de brasileiras e brasileiros vivendo em condição de insegurança alimentar grave, isto é, em situação de fome.   

Além disso, com a pandemia, o isolamento social obrigou mulheres e crianças ao convívio permanente com seus agressores. O Disque 180, central de denúncias de violência contra a mulher, registrou um aumento de 40% nos atendimentos, desde o início da pandemia. Em 2020, o número de feminicídios (assassinato de mulheres motivado por razões de gênero) cresceu 22% no país.

É por isso que, neste 8 de março, a exemplo de Margarida Alves, Olga Benario, Dandara, Marielle Franco e tantas outras lutadoras do povo que “seguiremos em luta até que TODAS sejamos livres!”

Texto: Hellen Guimarães – Coordenação Estadual do Movimento de Mulheres Olga Benario – MG


[1] https://nucleopiratininga.org.br/8-de-marco-conquistas-e-controversias/